Quando eu era alegre e jovem eu queria ser arqueólogo. Cheguei a divulgar amplamente isso. Naquele tempo, que é melhor não dizer quando, não havia graduação em arqueologia no Brasil e eu era alegre, jovem e duro, o que dificultou que eu fosse para o México. Alegre, jovem e duro, estudei história, como me sugeriu o único arqueólogo que conheci a sério, o Prof. Alfredo Mendonça de Souza. Não sou arqueólogo nem alegre e jovem mas sinto uma saudade grande do intelectual generoso e boêmio, aberto ao novo e mesmo ao ingênuo, com a sabedoria de quem sabe que as coisas não são para todo o sempre. O que quero dizer quando escrevo isso que talvez só eu leia? Parece que o Saliel e o Ricardo Paes, que conheceu o Prof. Alfredo também lê. É que descobri, como arqueólogo no sebo do Baratos da Ribeiro, um escritor que, como o Prof. Alfredo, compreendeu, a partir da observação das pessoas, a fronteira entre dito e o vivido, justo o que os arqueólogos buscam. Entender a civilização pelos seus gestos e hábitos cotidianos, suas marcas nas cidades, suas fogueiras e celebrações, seus crimes e brutalidades, que sempre deixam mais marcas no tempo da história.
Agora comecei a ler o Montalbán do início, ou melhor, o Detetive Pepe Carvalho do início. Não sei o nome da jovem do
Baratos do Ribeiro, mas ela melhorou o meu fim de semana com a descoberta do
Yo Maté a Kennedy. 10 real!
Quase tudo sobre o Montalbán está
aqui.
Par Paulo Lima
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Mercredi 13 septembre 2006
É a mesma dança na sala
No Canecão, na TV
E quem não dança não fala
Assiste a tudo e se cala
Não vê no meio da sala
As relíquias do Brasil:
Doce mulata malvada
Um LP de Sinatra
Maracujá, mês de abril
Santo barroco baiano
Superpoder de paisano
Formiplac e céu de anil
Três destaques da Portela
Carne-seca na janela
Alguém que chora por mim
Um carnaval de verdade
Hospitaleira amizade
Brutalidade jardim
Não antes do que hoje qual sentido do mundo da literatura e das artes no século que recem inicia? Não antes do que hoje se podia respirar livremente e esperar o comentário inteligente e sempre adiante no tempo/espaço? Prof. Otto, em manifestação pública recente comentou: “Mas realmente produziram algo novo aqueles que, justamente, não seguiram as auto-estradas: Saliel Figueira, por exemplo. Ele se desprendeu da história tradicional da filosofia, das ciências humanas, da epistemologia: exemplo excelente do movimento dinâmico de um pensamento livre e inventivo.”
Um dia a menos!
Par Paulo Lima
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Deve começar alguma coisa. Precisa começar alguma coisa!
Começo livro novo, começa um ano novo, começa o fim de semana. Começa a tocar o novo, pelo menos pra mim, cd do Keith Jarret e começo a olhar tudo que passou novamente. Vai passando o tempo e a gente vai colecionando de novo as melhores (e piores) sensações, ou tentando re-encontrá-las. E "
Sexta feira o rabino acordou tarde" começou muito bem. O silêncio é provável.
P.S.: O blog do
Ítalo tá valendo a pena ler.
Par Paulo Lima
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Jorge Cordeiro é vascaíno. É vascaíno e trocou o Rio por São Paulo. É um cara difícil de defender suas opções pessoais. Foi aluno do Colégio Pedro II e meu contemporâneo. Conheceu o que era a estratégia da esquerda socialista da época de retomar o Grêmio, fechado desde a ditadura, provocando eleições. Tancredo estava vivo. Ulisses, em plena forma. O debate estava ali, Jorge e seus correligionários do Partido Liberal (Alvaro Valle, Moreira Franco, Sandra Cavalcante e Mary Help, professora de inglês e que dava cursos de liderança). Ele diz que a história é diferente mas suas alianças com o poder instituido são indefensáveis... Vamos ver o que ele escreve sobre seu passado no CPII.
Apesar de tudo o Jorge mantém um dos mais divertidos e inteligentes blogs, o
Escriba, vale a leitura.
Par Paulo Lima
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"...Noite já tarde e eu seguia esperando um sinal. Os mesmos olhos d'água passaram aparentemente voltando de uma noite solitária. Aquele pensamento me confortou, não era só eu que perdia minha noite. A chegada da chuva surpreendeu algumas pessoas, eu sabia que ia chover e sabia que iria encontrá-lo. Sabia que ele se aproximava. Sentia o mesmo temor do dia em que chutei (ou que inventei a sensação escrita de pavor) Madiás. Aliás meses depois Madiás chutou-me. Aquele gigante branco me chutou e eu não fiz nada especial para merecê-lo, só chutei um morto que era o que ele queria parecer. Seu romance sobre a morte foi um fracasso editorial."
Isso é o pedaço de alguma coisa que começou. Preciso de disciplina. Possivelmente precisarei de leitores...
Par Paulo Lima
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A Meg, dama dos blogs e do
Sub-Rosa, cita este veículo informal e amador deste amador e informal comentador do que vê. É fato que já o faço há algum tempo. Segunda feira é dia de pensar no passado e eu vi que já se passaram 14435 dias... Possivelmente 2.062 segundas-feiras. Isso não me fez bem. Eu comecei a pensar nisso em 1998 e publiquei na web. Tá nos
archives, assim como alguns
textos de quando eu era mais alegre e jovem.
Par Paulo Lima
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- Lo importante no es imaginar, sino descubrir en las cosas y en lo que pasa todo lo que tienen de imaginário
Manuel Vázquez Montalbán, Rondán, ni vivo ni muerto
Par Paulo Lima
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