Samedi 4 novembre 2006
Tenho plena consciência do lugar de onde escrevo, da periferia, de uma província mais do império.  Fui ver Uma Verdade Inconveniente, documentário conduzido pelo Al Gore sobre o aquecimento global.  Preciso, enfático e irritantemente norte-americano.  É fato que os EEUU e Austrália não assinaram o Protocolo de Kioto mas o cara propõe o início de movimento, um movimento de consciência ambiental, global, do papel de cada um na opção pelo consumo consciente e tal.  Mas a agenda é a do embate Democratas x Republicanos.  A Amazônia, o Pólo Norte, a Antartida, a África é tudo decoração indo embora e que se for embora a vida deles vai ficar pior.  O curioso do filme é isso, uma mensagem importante de que é trabalhar pelo planeta, reduzir a emissão de gás carbônico, de viabilizar acordos internacionais e que o tempo é muito curto até rápidos e imprevisíveis impactos, mas tudo a partir do império.  É mesmo uma verdade incômoda...

Uma verdade inconveniente
Par Paulo Lima - Publié dans : Política
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Vendredi 3 novembre 2006
Nada demais. Dia nublado. Dia de comprar sapatos e óculos escuro novo. Dia de comprar mais cigarrilha. Dia de olhar a vida. De dia, pensar na noite. Dia de olhar música para ouvir.  Dia de descoberta: Real Grandeza, só composições do Macalé com o Wally Salomão.  A foto da capa é sensacional. 



E descobrir Mal Secreto:

Não choro
Meu segredo é que sou um rapaz esforçado
Fico parado, calado, quieto
Não corro, não choro, não converso
Massacro meu medo, mascaro minha dor
Já sei sofrer

Não preciso de gente que me oriente
Se você me pergunta: "Como vai?"
Respondo sempre igual: "Tudo legal!"
Mas quando você vai embora
Movo meu rosto no espelho
Minha alma chora

Vejo o Rio de Janeiro
O morro não salvo, não mudo
Meu sujo olho vermelho
Não fico parado, não fico calado, não fico quieto
Eu choro, converso
E tudo o mais jogo num verso
Intitulado mal secreto


Mal secreto, Macalé & Salomão
Par Paulo Lima - Publié dans : plima
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Vendredi 3 novembre 2006

Sobre a Insônia & tantas outras coisas...


A insônia me perseguia, sem que eu tivesse uma noção clara do porquê há uns 13 anos. Outra dia, no sono do dia depois de uma noite com poucos sonhos, encontrei uma pista. Passo a segui-la, atordoadamente desde então, testando todas as hipóteses, transformando tal busca, quase obsessiva, em meta cotidiana. Com isso tenho até dormido um pouco melhor, é verdade.

Me movimento razoavelmente bem entre várias sensações estéticas. Lembro de perder a noção do tempo quando me vi à frente da “Eterna Primavera”. Não sei quando tempo fiquei circulando em sua volta, atento a cada detalhe, a cada músculo retesado, às mãos que, cuidadosa e carinhosamente sustentavam e procuravam os corpos nus e entregues ao mais belo desejo. Sei que quem estava comigo desistiu de me esperar e foi embora. Ainda bem que não consegui comprar uma réplica da “Eterna Primavera” para minha sala... A sensação daquele momento ainda está em mim.

Não saberia criar uma escala de prazeres, mas os prazeres estéticos têm em mim uma importância bem significativa. Adoro a palavra fruição. Poderia ficar falando, cientificamente, de minhas sensações ao trocar com esculturas, pinturas, gravuras, músicas, filmes, poesias, contos, mas talvez não seja completo. Não me sinto à vontade nem com o teatro nem com a dança. A ópera muitas vezes me parece algo enfadonho. Mas também seria interessante buscar compreender o que leva os criadores a inventarem coisas tão marcantes em suas formas de expressão. Quando Rodin terá concebido a “Eterna Primavera”? Quando Borges inventou “Os Fragmentos de Um Evangelho Apócrifo”? E quem me inventou, o fez por que? Agora o problema está criado, estou aqui e sou mais um para perguntar sobre qualquer coisa. Tenho vontade de te perguntar porque me leva a sério, mas evito - posso parecer pouco sério. Ia fazer um inventário, mudei de idéia; agora tenho a impressão de que vou morrer velho.

Os gregos afirmavam que o melhor da produção intelectual de um homem (a Adiké), se dá a partir de uns 35 a 40 anos. Tanto é que ao Senado só chegavam os muito velhos, os mais sábios. Eu me sinto um menino velho. Queria ser mais menino e ainda mais velho - certamente seria mais interessante, equilibrado. Talvez até menos previsível. Poderia me movimentar do óbvio à surpresa tendo sempre um amplo espectro de possibilidades a escolher. Hoje digo apenas que me movimento razoavelmente bem em várias expressões organizadas do conhecimento humano. Isso até me diverte, mas não sei à qual efetivamente pertenço. Não sou poeta, não sou músico, não sou escultor. Semeio e pesquiso.  Ando cansado de palavras como “interdisciplinar”, mas isso pouco importa no momento. Eu falava mesmo era de insônia.

Talvez queira muito falar pouco de mim. Não nego que gosto imensamente de pensar que me imaginam. Eu imagino muito as pessoas - distantes muitas vezes - fazendo um monte de coisas, vivendo seu cotidiano e me pego imaginando-as no meu cotidiano, acabo me perdendo e chego logo ao meu destino... Sempre faço isso nos metrôs, táxis, ônibus... Antes eu deixava passar a estação, agora ando um pouco mais profissional, olho de quando em quando ao redor para me orientar. Várias vezes encontrei um sorriso que se divertia com minha completa concentração no nada (o nada para quem me olha naquele instante e eu nunca consegui uma foto minha nesses momentos...).

Mas eu ainda digo que iria falar sobre a insônia. Quero escrever sobre a insônia. Fui surpreendido por uma pergunta franca, direta: “O que te provoca essa insônia?” A pergunta, que veio com um jeito de corpo fresco, recém saído do banho, me incomodava a dias. Procurando a resposta, dormia cedo e acordava cedo, gostava de ver o sol e tinha vontade de andar de bicicleta e nadar - a preguiça tem vencido até agora. Eu não durmo à tarde.

Decido adiar algumas coisas como o inventário. Faço planos para o ócio da velhice. Não vou jogar damas, nem sueca. Meus netos, só nos dias em que eu acordar avô... Deixo tarefas já agendadas. Preciso ler “Em Busca do Tempo Perdido”, tentarei um novo combate com “As Palavras e as Coisas” e vou reler, já na minha idade-senador-grego, “Zadig” ou “O Destino”. Passarei semanas no Louvre, decorando seus corredores, me embrenharei por cada subterrâneo de Roma e me deixarei queimar em Éfeso. Pronto, isso já me toma muito tempo. Lembro de ver um personagem da história política brasileira em seus últimos dias. Meio fora do ar, me olhou, perguntou meu nome e, como já não se lembrava de mim, voltou à sua leitura, entremeada com gostosas gargalhadas e frases incompreensíveis, das “Cartas de Eça de Queirós”. Dizia para si mesmo que se o Eça tivesse escrito em inglês seria mais importante do que Shakespeare. Eu me divirto mais com Eça de Queirós.

Afinal para quem escrevo isso? E sobre minha insônia, vou falar ou não? E você leitor? Não se posiciona, lê esse monte de impressões desarrumadas e não intervém? Não fecha esse livro (blog) e o joga longe?.

O tempo passa, urge falar sobre tanta coisa. Se pudesse dizia tudo que sei. Iria doer. Doer em mim e em você. Iríamos chorar, arrancar as nossas dores, desilusões e gritá-las em praça pública. Íamos fazer o mundo chorar mais um pouco. Chorar com as coisas que nos impôs, com os sonhos que destruiu, com a emoção bela de alguns e a vileza de tantos outros. Mas eu preciso falar o que me propus. Não falo de algo novo ou desconhecido. Mas falo de uma forma de entender a nós mesmos.

Ansiedade!

A chave. Toma essa chave e tenta compreender tua ansiedade. Eu sigo essa pista. Eu sei contudo, que: “Feliz é o que não insiste em ter razão, porque ninguém a tem ou todos a têm”1. Por isso acho que tenho somente uma pista. Minha pista pelo menos me indica que meus medos são ligados à mudança e inércia. Isso! Parece difícil de compreender? Não, não o é. Quando vivo longos tempos sem que nada aconteça (não sei quanto tempo quer dizer longo para mim), de completa estabilidade, não consigo dormir esperando que a surpresa venha logo.

Espero, preparo, invento, penso e repenso como será a surpresa dessa vez. A desenho no teto, a arrumo entre meus travesseiros e não durmo mais uma noite. Daí vem a surpresa, zoneia toda minha vida, joga meus travesseiros no chão e eu só enxergo a ela. Ela chega, furacão... Não deixa nada do passado e encontro-me depois, quando volto a pensar em outra coisa, catando meus fragmentos com um gosto bom na boca.

Daí vem a ansiedade da estabilização depois da mudança, depois pode vir de novo a estabilidade, o tédio, a insônia... Enfim, a insônia não tem nada a ver com isso. Bom mesmo é pensar que: “Felizes os amados e os amantes e os que podem prescindir do amor. Felizes os felizes2“.


Paulo Lima

1 - Borges, Jorge Luís - Fragmentos de um Evangelho Apócrifo, in: Elogio da Sombra.

2 - Borges, Jorge Luís, idem

Par Paulo Lima - Publié dans : Literatura
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Jeudi 2 novembre 2006
Eu não quero sair
Hoje eu vou ficar quieto
Não adianta insistir
Eu não vou pro boteco

Hoje eu não teco, não fumo
Não jogo sinuca
Não pego no taco
Tem muita gente maluca
Me apurrinhando
Enxendo o meu saco
Hoje eu estou de vara curta
Vou ficar no barraco
O que não falta é tatu
Pra me levar pro buraco

Conversa afiada amador
Carambola
Espeto é de pau em casa de ferreiro
Papagaio que acompanha João-de-Barro se enrola
Vira ajudante de pedreiro

ana carolina
Par Paulo Lima - Publié dans : plima
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Mercredi 1 novembre 2006
EXPOBRASIL 2006 Desenvolvimento Local

Expo Brasil Desenvolvimento Local 2006

A quinta EXPOBRASIL terá lugar em Salvador, Bahia, Brasil, de 5 a 8 de Dezembro.

Eixos estratégicos

· Democracia participativa e cultura política : desafio de consolidação de novas instituições de
desenvolvimento local;
· Articulação das atividades de produção nos territórios (incluindo abordagens/temas como :
territórios produtivos, economia solidária, arranjos produtivos locais, sistemas de crédito,
comércio justo);

Temas específicos

· Agricultura familiar e desenvolvimento local
· Arte e cultura como factor de desenvolvimento local
· Agro-energia, bio combustíveis e desenvolvimento local
· Reciclagem e desenvolvimento local
· Desenvolvimento local em contexto urbano
Par Paulo Lima - Publié dans : plima
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Mardi 31 octobre 2006
No fim das contas o que eu gosto mesmo é de falar nada com nada.  Mesmo que seja só pra mim.  Imaginar diálogos para passar o tempo. 

Descobri essa certeza no vôo de volta.  11 horas sem muita coisa para fazer, filmes ruins e gente que se descobre nos primeiros 45 minutos de vôo, de dia.  Por exemplo, alguém me pergunta se eu pintei o cabelo.  Isso dá um longo e interessante debate sobre qual a cor, sobre o porque da atitude (pintar o cabelo) e, principalmente sobre a dificuldade que seria fazê-lo.  A literatura sobre isso é muito vasta mas como não gosto de citar não direi meu autor preferido.  Em falar de autor preferido estou pronto para o fim de semana. Além de trabalhar um pouco tenho um novo livro do Montalbán, chamado "El Pianista" para ler.  O Baratos do Ribeiro mais uma vez me surpreende com a organização, renovação de estoque e simpatia.  Lá é um bom lugar para falar nada sobre nada ou qualquer coisa sobre tudo.

Eu ainda não conheço um blog que fale nada com nada profissionalmente, nem sei como achar. Sugestões são muito bem vindas. 
Par Paulo Lima - Publié dans : Literatura
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Mardi 31 octobre 2006
Par Paulo Lima - Publié dans : Literatura
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