Mercredi 13 septembre 2006
É a mesma dança na sala
No Canecão, na TV
E quem não dança não fala
Assiste a tudo e se cala
Não vê no meio da sala
As relíquias do Brasil:
Doce mulata malvada
Um LP de Sinatra
Maracujá, mês de abril
Santo barroco baiano
Superpoder de paisano
Formiplac e céu de anil
Três destaques da Portela
Carne-seca na janela
Alguém que chora por mim
Um carnaval de verdade
Hospitaleira amizade
Brutalidade jardim
Não antes do que hoje qual sentido do mundo da literatura e das artes no século que recem inicia? Não antes do que hoje se podia respirar livremente e esperar o comentário inteligente e sempre adiante no tempo/espaço? Prof. Otto, em manifestação pública recente comentou: “Mas realmente produziram algo novo aqueles que, justamente, não seguiram as auto-estradas: Saliel Figueira, por exemplo. Ele se desprendeu da história tradicional da filosofia, das ciências humanas, da epistemologia: exemplo excelente do movimento dinâmico de um pensamento livre e inventivo.”
Um dia a menos!
Par Paulo Lima
-
Publié dans : Literatura
0
-
Recommander
"Ah, essa época! Como é sem gosto e mal-educada!" já dizia o Catulo da Paixão Cearense, sobre qualquer época, como essa que vivemos. 11 de setembro, o mesmo assunto, o que você estava fazendo? Segunda-feira, que maré. É sinal de falta de assunto mesmo que o Flamengo tenha vencido ou que tenha feito sol no sábado. Eu ando monotemático e desinteressado nos assuntos alheios. "Ah, essa época! Como é sem gosto e mal-educada!"
Par Paulo Lima
-
Publié dans : Nada
1
-
Recommander
Quando eu era alegre e jovem eu queria ser arqueólogo. Cheguei a divulgar amplamente isso. Naquele tempo, que é melhor não dizer quando, não havia graduação em arqueologia no Brasil e eu era alegre, jovem e duro, o que dificultou que eu fosse para o México. Alegre, jovem e duro, estudei história, como me sugeriu o único arqueólogo que conheci a sério, o Prof. Alfredo Mendonça de Souza. Não sou arqueólogo nem alegre e jovem mas sinto uma saudade grande do intelectual generoso e boêmio, aberto ao novo e mesmo ao ingênuo, com a sabedoria de quem sabe que as coisas não são para todo o sempre. O que quero dizer quando escrevo isso que talvez só eu leia? Parece que o Saliel e o Ricardo Paes, que conheceu o Prof. Alfredo também lê. É que descobri, como arqueólogo no sebo do Baratos da Ribeiro, um escritor que, como o Prof. Alfredo, compreendeu, a partir da observação das pessoas, a fronteira entre dito e o vivido, justo o que os arqueólogos buscam. Entender a civilização pelos seus gestos e hábitos cotidianos, suas marcas nas cidades, suas fogueiras e celebrações, seus crimes e brutalidades, que sempre deixam mais marcas no tempo da história.
Agora comecei a ler o Montalbán do início, ou melhor, o Detetive Pepe Carvalho do início. Não sei o nome da jovem do
Baratos do Ribeiro, mas ela melhorou o meu fim de semana com a descoberta do
Yo Maté a Kennedy. 10 real!
Quase tudo sobre o Montalbán está
aqui.
Par Paulo Lima
-
Publié dans : Literatura
5
-
Recommander
"E o meu sonho acaba tarde, deixa a alma de vigia."

Persistência da Memória
(Dali, Salvador-1931)
Par Paulo Lima
-
Publié dans : Arte
2
-
Recommander
Mercredi 6 septembre 2006
E se o ferro ferir
E se a dor perfumar
Um pé de manacá
Que eu sei existir
Em algum lugar
E se eu te machucar
Sem querer atingir
E também magoar
O seio mais lindo que há
E se a brisa soprar
E se ventar a favor
E se o fogo pegar
Quem vai se queimar
De gozo e de dor
E se for pra chorar
E se for ou não for
Vou contigo dançar
E sempre te amar amor
E se o mundo cair
E se o céu despencar
Se rolar vendaval
Temporal carnaval
E se as águas correrem
Pro bem e pro mal
Quando o sol ressurgir
Quando o dia raiar
É menino e menina
Bambino, bambina
Pra quem tem que dar
No final do final
E se a noite pedir
E se a chama apagar
E se tudo dormir
O escuro cobrir
Ninguém mais ficar
Se for pra chorar
E uma rosa se abrir
Pirilampo luzir
Brilhar e sumir no ar
Se tudo falir
O mar acabar
E se eu nunca pagar
O quanto pedi
Pra você me dar
E se a sorte sorrir
O infinito deixar
Vou seguindo seguir
E quero teus
lábios beijar
Na voz de Elza Soares, composição de Ernesto Nazareth E Zé Miguel Wisnik (Do cox até o pescoço, 2005)
Par Paulo Lima
-
Publié dans : Música
0
-
Recommander
Uma das coisas que mais me impressiona e agrada nos argentinos é a qualidade do debate político popular. As pessoas conhecem o sistema, os partidos, as tradições e a história. No Brasil a qualidade parece que melhora. Eu sou um otimista. Um candidato como o Cristóvão Buarque que veio só para marcar uma posição, pela priorização da educação, é um grande avanço. A TV Bandeirantes trás uma importante contribuição, um programa as segundas (Canal Livre Eleições 2006) que qualifica o debate. O Franklin Martins, livre da vigilância ideológica da Globo, nada de braçada com conhecimento e opinião muito bem informada. Os convidados tem sido muito bem selecionados e o padrão do programa é isso, quase argentino, no melhor sentido. É disso que precisamos, política é código, é conhecimento de regras e debate. Tarso Genro defendendo uma "concertação nacional" é muito bem vindo para a democracia no Brasil.
Par Paulo Lima
-
Publié dans : Política
0
-
Recommander
pensando em férias:
(Foto, plima.org: Juan Dolio, República Dominicana)
Par Paulo Lima
-
Publié dans : Nada
2
-
Recommander